Resenha: A Rainha Vermelha - Victoria Aveyard


Tradutor: Cristian Clemente
Série: A Rainha Vermelha
Nome Original: Red Queen
Volume: 1
Editora: Seguinte
Páginas: 419
Gênero:  Fantasia, New Adult e  Romance.
Lançamento: 2015
O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses. Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso. Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho? Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe e Mare contra seu próprio coração.
Gente, antes de eu começar a falar sobre o livro, gostaria primeiramente de agradecer ao grupo editorial Companhia das Letras por ter me cedido o livro. Foi ótimo, porquê hoje em dia com todos esse e-books,  já vazia um bom tempinho que eu não segurava um livro novo nas mãos. E aquele cheirinho não tem igual, né?! ;)

E eu pessoalmente adorei essa edição da editora Seguinte, porquê além de linda e estar super fiel a original, a tradução - que eu considero o aspecto mais importante - está muito bem feita. Digo isso, porquê as vezes, lia alguns trechos da versão americana em e-book da qual eu comprei ano passado na Amazon, e deu pra fazer essa comparação. 

Esse livro despertou o meu interesse quando soube da acirrada disputa entre os estúdios de Hollywood para comprar os direitos autorais de um livro que nem sequer tinha sido finalizado. Achei bem curioso e hoje depois de o ter lido, consigo entender o porque de tanto burburinho. Mas vou falar sobre isso daqui a pouco.

Enfim, dito isso, vamos ao livro. Olha, a sinopse basicamente diz tudo o que você inicialmente precisa saber sobre ele. O enredo é exatamente aquilo que está exposto. A história é envolta a um mundo de fantasia, do qual aborda uma sociedade divida em dois tipos de pessoas: os de sangue prateado que engloba toda a elite e inclusive a realeza. E todas essas pessoas detêm algum tipo de poder sobrenatural, alguns mais ou menos significante do que outros. E do outro lado está os de sangue vermelho, que seria representado pela a "escória" da sociedade. Essas pessoas trabalham para os Prateados e não tratados com nenhum pingo de dignidade e mal tem condições de sobrevivência.

O livro é contato pelo o ponto de vista da Mare, uma plebéa de sangue vermelho, que vive em um vilarejo miserável com os seus pais e irmã. Ela está prestes a ser recrutada para a guerra, pois já está quase completando 18 anos e não tem nenhum emprego. Sendo assim, como os seus irmãos mais velhos, ela é obrigada a se apresentar. Mas um dia, após um encontro inusitado com um jovem misterioso, ela milagrosamente consegue um trabalho de criada no Palácio de verão do Rei e é lá que ela vê a sua vida dar uma volta de 360º. 

Após sofrer um acidente durante um concurso que irá eleger a futura rainha, Mare inesperadamente, descobre que apesar de Vermelha também detêm poderes, exatamente como os Prateados. E o rei e a rainha sem saber como explicar à população tamanha anormalidade, inventam uma história de que ela é na verdade uma Prateada e a obrigam a ficar noiva do Príncipe mais novo, Maven. Não só para a usarem como uma distração aos recentes ataques de um grupo vermelho extremista, mas também para a terem por perto, afim de entenderem melhor a sua peculiaridade. Sem saída, pois eles oferecem algumas coisas em troca, ela aceita.

E a partir daí, a história se desenvolve em uma série de armações, reviravoltas, traições e muita ação. Agora, quanto ao romance, eu não tenho como entrar muito em detalhes, pois ele está muito ligado a outros aspectos e surpresas do livro. Mas há uma espécie de triângulo entre ela e os dois Príncipes,  Cal o mais velho e futuro Rei e o Maven que tem a mesma idade da Mare. E apesar de irmãos, os dois são completamente diferentes um do outro. E eu não sei se é porquê a autora não explorou muito o romance em ambas as vias, mas eu não me envolvi muito com nenhum casal. Apesar de ter curtido a Mare e o Cal no começo, do meio para o final, eu acabei me desapegado um pouco. De qualquer forma, esse não é um livro muito focado no romance, ele acaba fica de plano de fundo. Espere encontrar aqui uma história com mais ação, guerra, mortes, reviravoltas, dramas e até um pouco de política.

Quanto a escrita da autora, eu confesso que estranhei um pouco determinados pontos. Eu não diria que o livro teve um desenvolvimento nota 10, porque por vezes a autora surgia com algumas coisas meio do nada e sem muitas explicações e isso me deixava meio perdida. Quero dizer, não existia um desenvolvimento graduado ou idéias expostas, as vezes alguns elementos ficavam simplesmente jogados e sem conexão.

Outro ponto que eu também não gostei, é que a Victoria não trabalhou muito na expectativa de alguns grandes eventos. Digo isso, no sentido de arrastar um pouco na preparação e planejamento. As coisas eram discutidas numa página e na seguinte já estavam acontecendo. Por um lado, é bom porque o livro não ficava arrastado, mas por outro também não gerava muita expectativa para as coisas. Mas os pontos negativos foram basicamente esses. Apesar de achei meio desnecessário a repetição de "todo mundo pode trair todo mundo" a cada página. Afinal de contas, dá pra entender isso da primeira vez.

Mas enfim, tirando essas coisas, eu achei o livro muito bom e para uma autora de primeira viagem, a Victoria escreveu uma obra bem intrigante. Inclusive, li algumas resenhas comparando a Rainha Vermelha com livros como A Seleção, Jogos Vorazes e até mesmo a série Game of Thrones. E embora eu consiga claramente visualizar o porque dessas comparações, eu acho que A Rainha Vermelha tem personalidade própria. A Victória escreveu uma história com características únicas e que se sustenta por si mesma. E sim, tem de fato algumas semelhanças, mas nada que tire a originalidade da história.

E eu também gostei dos personagens. Não achei a Mare uma protagonista chata e irritante. Ela mete os pés pelas as mãos, faz algumas escolhas meio duvidosas, talvez seja um pouco crente demais, mas acho que pra uma personagem de 18 anos, isso tudo faz parte. Afinal, não dá pra se esperar tanta maturidade de uma pessoa com pouca vivência. Afinal, isso é um young adult. Para falar a verdade, eu até achei outros personagens como os Príncipes, a família e o amigo Kilorn mais irritantes do que ela, o que normalmente não acontece.

Bom livro! Me manteve presa a história no decorrer de toda a leitura. Fiquei intrigada na maior parte do tempo e embora eu já de início tenha sacado algumas futuras reviravoltas, foi bacana ver o seu desenrolar. Até porque, no fim das contas, algumas coisas não saíram como eu esperava, o que acaba sendo sempre um ponto positivo. Curiosa pela A Espada de Vidro.

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