Resenha: 'Liberta-me' (Estilhaça-me #2) - Tahereh Mafi

Série: Estilhaça-me 
Volume: 2
Editora: Novo Conceito
Páginas: 448
Gênero:  Young Adult Romance, Distópico.
Lançamento: 2013; 1ª edição.
Língua: Português
Liberta-me é o segundo livro da trilogia de Tahereh Mafi. Se no primeiro, Estilhaça-me, importava garantir a sobrevivência e fugir das atrocidades do Restabelecimento, em Liberta-me é possível sentir toda a sensibilidade e tristeza que emanam do coração da heroína, Juliette. 
Abandonada à própria sorte, impossibilitada de tocar qualquer ser humano, Juliette vai procurar entender os movimentos de seu coração, a maneira como seus sentimentos se confundem e até onde ela pode realmente ir para ter o controle de sua própria vida. Uma metáfora para a vida de jovens de todas as idades que também enfrentam uma espécie de distopia moderna, em que dúvidas e medos caminham lado a lado com a esperança, o desejo e o amor.
ATENÇÃO. A RESENHA CONTÉM SPOILERS DE “ESTILHAÇA-ME”. SE AINDA NÃO LEU O LIVRO ANTERIOR, NÃO LEIA ESSA RESENHA.
Resenha de Estilhaça-me

Gente, mas que surpresa foi esse livro. Infelizmente, acabei muito decepcionada com o primeiro, o 'Estilhaça-me'. Enquanto eu o lia, me questionava o que havia exatamente nele - além da escrita em forma de prosa - que tinha deixado as pessoas tão encantadas e eu não conseguia achar as respostas. Depois de acabar o primeiro, apesar de me ver decepcionada, vi que havia potencial na história e senti que ele poderia se tornar melhor nos livros seguintes. E gente, levei três messes para ler o primeiro, mas o segundo? Li em um dia e meio. Sinceramente não sei o que que aconteceu, mas de repente, me vi sugada para dentro do livro, envolvida com a história e os personagens de tal forma que e eu simplesmente não conseguia mais parar de ler. 

Como eu disse, não sei exatamente o que aconteceu, mas a história cresceu e os personagens ganharam força. No livro anterior a gente conhece a história da Juliette e embora ela tenha sido extremamente dramática, considerei isso justificável levando em conta a vida que ela teve, então não a culpei por isso. Embora, personagens mimizentas me irritem um pouco. Mas achei ela insossa e isso foi o suficiente para me desanimar. Em 'Liberta-me', a gente ainda vê uma Juliette extremamente dramática, mas ao mesmo tempo é uma Juliette que está tentando lutar para se superar tanto emocionalmente quanto fisicamente mais forte Então, foi possível acompanhar uma evolução gradual da personagem e foi legal porque ela foi ganhando força, mas sem perder a sua essência.

Outra coisa que me surpreendeu, foi o aspecto romântico. No livro anterior eu não consegui comprar o amor entre a Juliette e o Adam. Tudo aconteceu muito rápido e muito fácil. Foi um amor que nos foi entregue de bandeja o que acabou se tornando sem graça. A gente não pôde acompanhar direito a evolução deles. Ainda acho que aquilo tudo era mais uma atração física misturado com carência. Nunca cheguei a ficar realmente encantada ou torcendo pelo os dois, mas não porque não tenha gostado deles, mas só porque eu não consegui acreditar naquele sentimento.

Mas como eu já previa, esse livro iria deu uma volta de 360º nesse sentido, porque de certa forma surge um triângulo envolvendo a Juliette, o Adam e o grande inimigo de todos, o Warner. Enquanto eu lia o livro anterior, eu sabia que a história iria chegar nesse ponto então, eu só tinha dúvidas quanto a forma como isso tudo seria apresentado. E claro, fiquei também curiosa para ver como que no fim das contas a autora iria conseguir tentar equilibrar o pêndulo com o intuito de fazer as pessoas gostarem e torcerem para a Juliette ficar com o cara que havia sido tão cruel não só com ela mas também com outras pessoas que ela se importava. Pensei, bom a autora irá precisar de ser muito astuciosa para nos convencer de que isso é possível. E ela poderia novamente cometer o mesmo erro que ela havia cometido com o Adam e a Juliette. Ou seja, fiquei um pouco cética quanto a tudo isso.

A questão é que isso não aconteceu. Pelo o contrário, ela trabalhou na relação dos dois como ela não havia trabalhado na relação da Juliette com o Adam e realmente, para mim no fim das contas tudo ficou bem convincente. O romance deles não nos foi entregue de bandeja como o outro, e isso que foi o mais legal, porque nós tivemos a oportunidade de acompanhar com os dois todo o passo a passo do turbilhão de emoções que eles estavam vivenciando.

É tudo muito complicado na realidade, porque a Juliette está convencida de que ama o Adam, mas nesse livro os dois enfrentam alguns problemas que não lhes dão boas perspectivas e isso os deixam emocionalmente arruinados. Então, eu sinceramente não tenho ideia do que irá acontecer daqui pra frente. Diria que ambos tem 50% de chance de ficar com ela, e embora eu esteja preferindo o Warner, ficarei triste por qualquer um dos dois que acabe  chutado na sarjeta. rss Porque embora não goste do casal Adam e Juliette, eu acabei gostando dele.

Tirando a parte romântica entre a Juliette e o Warner (destaque para o capítulo 62), eu fiquei completamente apaixonada pelo o melhor amigo dela, o Kenji. Gente, que personagem adorável. O espírito leve, brincalhão e sarcástico dele foram encantadores. Adorei a amizade dele com a Juliette e como ela foi se desenvolvendo. Na verdade, o que eu mais gostei é que ele não tinha nem um pouco de papas na língua para jogar na cara da Juliette o que ela precisava exatamente ouvir, aquele tipo de coisa que só um grande amigo  faz.

Enfim, sobre a premissa do livro, bom a Juliette e o Adam acabam sendo melhor introduzidos ao movimento Ponto Ômega. Mas a Juliette está tendo dificuldades para se adaptar ao lugar e as pessoas. Ela treina e tenta aperfeiçoar os seus poderes, mas não tem muito sucesso e acaba ainda mais frustrada e mimizenta. Mas os líderes do movimento Ponto Ômega - entre eles o Kenji - não lhe dão muitas chances para ela ficar se lamentando e lhe "jogam na parede", pois precisam de ajuda e rápido. Afinal, o temível Comandante - e pai do Warner - deu as caras e assumiu as rédeas da situação. A guerra está prestes a acontecer e eles não têm muito tempo para se prepararem.

Esse livro não tem tanta ação e nem tanta troca de cenários quanto o anterior, ele acaba focando mais no desenvolvimento dos personagens e suas relações. O que eu particularmente achei ótimo, porque as pessoas que estão lendo o livros estão mais preocupadas com os personagens em si do que com o pano de fundo da história. E nesse sentido, eu destaco principalmente o Warner, porque nesse livro, nos é apresentado um lado dele que nós não havíamos antes conhecido e é um lado que muda toda a figura da história.

Realmente, gostei muito de Liberta-me. Só não dou 5 porque embora eu já esteja adaptada a escrita da autora, tem horas que fico meio sem paciência. Por exemplo, em algumas cenas está rolando uma super ação, o exitamento lá em cima,  louca pra saber o que vai acontecer, mas em seguida, de repente ela diminui o ritmo com um capítulo cheio de metáforas, figuras de linguagem e nada que para aquele momento realmente importe. Isso me deixava frustrada, a sorte é que eram capítulos extremamente curtos. 

Inclusive, considerei os capítulos são pequenos um ponto positivo, porque acaba dando um certo dinamismo para o livro. Mas ainda sobre escrita, eu realmente passei a gostar desse estilo. Acho que é mais envolvente. A Juliette expressa as emoções dela de forma tão poética e ao mesmo tempo tão figurativa que ela consegue nos atingir e sentir com ela tudo o que ela está descrevendo. E o interessante é que isso não ocorre apenas com emoções dela, a Juliette também é capaz de dar voz ao vento, a chuva, ao chão, ao sol... e isso faz a história se tornar mais intensa. Funcionou para essa história e para a personalidade da protagonista.

Enfim, amei! e mal posso esperar para o que vem a seguir. Pena que 'Encendeia-me' será o último livro. 

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