Resenha: Mar da Tranquilidade - Katja Millay

Nome: Mar da Tranquilidade
Autora: Katja Millay
Editora: Arqueiro
Lançamento: 2014
Páginas: 368
Gênero: Romance, Contemporâneo, Young Adult, Drama.
Nastya Kashnikov foi privada daquilo que mais amava e perdeu sua voz e a própria identidade. Agora, dois anos e meio depois, ela se muda para outra cidade, determinada a manter seu passado em segredo e a não deixar ninguém se aproximar. Mas seus planos vão por água abaixo quando encontra um garoto que parece tão antissocial quanto ela. É como se Josh Bennett tivesse um campo de força ao seu redor. Ninguém se aproxima dele, e isso faz com que Nastya fique intrigada, inexplicavelmente atraída por ele. A história de Josh não é segredo para ninguém. Todas as pessoas que ele amou foram arrancadas prematuramente de sua vida. Agora, aos 17 anos, não restou ninguém. Quando o seu nome é sinônimo de morte, é natural que todos o deixem em paz. Todos menos seu melhor amigo e Nastya, que aos poucos vai se introduzindo em todos os aspectos de sua vida. À medida que a inegável atração entre os dois fica mais forte, Josh começa a questionar se algum dia descobrirá os segredos que Nastya esconde – ou se é isso mesmo que ele quer.
Eu li esse livro por pura curiosidade, porque na época que ele foi lançado nos Estados Unidos o burburinho em cima dele foi tamanho que eu pensei que ele poderia se tornar para mim uma exceção como aconteceu por exemplo com Entre o Agora e o Nunca da J.R Redmerski. Porque sendo muito sincera, eu não costumo gostar muito desses livros extremamente puxados no drama. Acho eles muito pesados e normalmente acaba se tornando uma leitura arrastada para mim.

Várias pessoas expressaram o quanto tinham amado o livro, que ele tinha inclusive se tornado um dos favoritos e que por vezes o leitor até mesmo se esquecia que o Mar da Tranquilidade é um livro young adult, pela a maturidade que os personagens apresentam. Pois bem, eu li livro, e de fato eu até concordo com alguma das coisas que eu li. No entanto, não foi uma leitura que tenha me agradado tanto assim. 

Ele é realmente um livro bem denso. É tão dramático que por vezes me deixou inconfortável. Mas eu até poderia ter passado por cima disso se os personagens fossem no minimo envolventes, o que não foi o caso. Aliás, refletindo melhor, não é nem que a história seja tão dramática, quem é dramática mesmo é a personagem principal. Nossa! Ela me irritou quase que o livro inteiro. Sabe aquelas pessoas que sentem pena de si mesmas e se fazem de vítima!? Essa é a Nastya. Infelizmente, um dia ela passou por uma experiência trágica que a fez mudar completamente. O leitor inicialmente não sabe o que aconteceu, mas a autora vai jogando algumas pistas no decorrer do livro para o leitor ir juntando as peças. 
Mas enfim, acontece que ao invés de ela curtir a fossa dela por um tempo e depois de alguma forma tentar dar a volta por cima, pelo o contrário, ela se entrega completamente. Ela simplesmente para de viver, se torna um fantasma ambulante. Uma coisa extremamente mórbida. 

Pois bem, no último ano do ensino médio ela resolve ir morar com a tia em uma nova cidade. Mas na escola ela faz de tudo para evitar as pessoas, finge até ser quem ela não é. Tudo o que ela quer é manter aquela vidinha de sentir pena dela mesma, sem nenhuma motivação pra viver, mesmo ela tendo a vida inteira pela frente e com pessoas que a amam e que se importam com ela. Aliás, ela até tem uma motivação, que é a vingança. E gente, isso me frustrou de um tanto que eu mal consegui sentir qualquer vestígio de respeito por essa personagem. Quero dizer, no fim a gente acaba entendendo pelo o que ela passou e realmente lamenta. Mas também achei o drama exacerbado. Parecia até o fim do mundo. Ou seja, pra mim não foi muito divertido ler sobre um personagem assim. Confesso que eu posso até estar sendo um pouco dura com ela, mas eu não gosto de vitimização então, realmente não me agradou muito.

Do outro lado da moeda, nós temos o Josh. Ele não é muito diferente da Nastya. Também não teve uma vida fácil e também se isola das pessoas. Porém, nesse quesito ele é ainda um pouco melhor do que ela, porque eu não senti como se ele tivesse desistido da vida, ele simplesmente tenta lidar com ela da forma como ele acha melhor. Também não é uma pessoa tão revoltada, sustentando tanta raiva dentro de si. Mas ambos são pessoas solitárias e que preferem evitar as pessoas. Ele se isola, ela também... E ela faz isso usando roupas góticas bem vulgares pra chocar as pessoas. Ah e ela também não fala... e quando digo não fala, é tipo, nunca mesmo. Com ninguém! 

Mas enfim, a Nastya eventualmente conhece o Josh, e eles vão aos poucos se aproximando, até que alguns sentimentos começam a surgir e... bom, se apaixonam. O romance é daqueles que cresce aos poucos, e diria que foi até bonito, nada de tirar o fôlego, mas emocionante algumas vezes. São duas pessoas solitárias, desesperançadas com s vida, tentando (ou não) lidar com a própria dor. Só que ele não sabe muito sobre a Nastya, porque ela não fala sobre o passado. Mas quando algumas verdades vem a tona... vira tudo do avesso.

Confesso que não previa a reviravolta que o livro dá no final, mas foi um ótimo adicional pra história. E ai juntando esse fato com a escrita fluente e misteriosa da autora, eu dou 4.5 estrelas. Em compensação, como não curti tanto os personagens, dou nesse quesito no máximo 3 estrelas. Mas o final também salvou um pouco. Então, acredito que esse livro tenha realmente ficado entre 3,5 para mim.

No todo, eu diria que eu gostei razoavelmente. Não me arrependo de ter lido, porque nós somos capazes de tirar algumas boas lições da história, e também nem posso dizer que eu esperava mais, porque já sabia que ele seria "dramático". Só não esperava desgostar tanto da personagem principal.

Só que assim, numa média de 100 pessoas, 90 delas adoram o livro, fui exceção, então não se deixem levar tanto pela a minha opinião. Deem uma chance, porque a história toca cada um de forma diferente e pode ser diferente pra você.
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