Resenha: Stolen (Raptada): Uma Carta ao Meu Sequestrador - Lucy Christopher

terça-feira, setembro 23, 2014
Nome: Stolen (Raptada): Uma carta ao meu sequestrador
Autora: Lucy Christopher
Editora: ID
Lançamento: 2012
Páginas: 368
Gênero: Romance, Contemporâneo, Young Adult, Dark.
Gemma é uma adolescente normal esperando para pegar um voo no aeroporto de Bangkok com seus pais. Ao se afastar, conhece o charmoso e envolvente Ty, e nem imagina quais são suas reais intenções. Ele lhe oferece um café em que coloca algum tipo de droga. Confusa, ela é sequestrada e arrastada para o meio do deserto australiano. Ele a rouba para si, depois de anos a observando, e ainda espera que ela o ame. Os dias se passam e eles têm apenas um ao outro na imensidão vazia e escaldante do deserto, e Gemma começa a entender e conhecer Ty. É aí que os limites entre inimizade e compaixão vão ficando cada vez mais tênues.
Sabe aquele livro que te marca de uma forma que você sabe que jamais irá esquecer? Bom, assim foi para mim quando li Stolen. Não sei dizer se foi por causa da autora ou se foi por causa do enredo. O que eu sei é que até então eu nunca tinha saído da minha zona de conforto e quando eu finalmente saí, eu dei de cara com um livro maravilhoso.

Esse livro me desafiou de tal forma, que conforme eu ia lendo, a minha cabeça ia girando e dando vários nós. Eu cheguei ao final com o coração na mão e me questionando se eu havia perdido todo o senso do certo e errado. hahaha

Ele conta uma história de amor? Sim, mas não diria que é exatamente um romance. Como ele aborda a Sindrome de Estocolmo (quando a vítima se apaixona pelo o seu sequestrador) eu diria que ele está bem longe de ser aquela coisa fofa e romântica.  Ele é puro drama e conflito pessoal.
"Eu fui raptada em um aeroporto. E ele ainda esperava que eu pudesse ama-lo..."
A concepção inicial de todo mundo eu acredito, seja o choque - pelo menos foi a minha. Afinal de contas, o que faz uma pessoa na sua mais capacidade mental, se apaixonar por uma pessoa que te priva da sua própria liberdade!? Isso parecia um conceito impossível na minha cabeça. Mas a medida que você entra na história, você vai vendo que as coisas não são tão preto no branco, mesmo quando se trata de um assunto como esse.
"Você me viu antes que eu visse você. No aeroporto, naquele dia de agosto, você tinha aquela expressão em seus olhos, como se quisesse alguma coisa de mim, como se a quisesse há muito tempo. Ninguém nunca tinha me olhado assim, com tanta intensidade. Isso me perturbou, me surpreendeu, eu acho. Aqueles olhos azuis, bem azuis, um azul gelado, olhando para mim como se eu pudesse aquecê-los. Eles são muito poderosos, seus olhos, você sabe disso, e muito lindos também. 
Depois desse livro eu já li vários outros que abordam o mesmo assunto (como por exemplo: Held, Sempre, The Breakaway) mas acho que nenhum deles soube abordar tão bem os conflitos que passam pela a cabeça de uma pessoa que acaba sofrendo com essa síndrome. Aliás, pra ser bem sincera, eu diria que nesse caso específico a personagem não acaba sendo a única a sofrer desse mal. A escritora propositalmente faz com que todos se sintam assim. Todo mundo que eu vi falando sobre esse livro, também acabou de alguma forma envolvido na situação de tal forma que passou a torcer pelo o romance. Eu mesmo fui uma delas. Confesso que fiquei super confusa em relação aos meus sentimentos, sobre o aceitável e o condenável... Realmente a autora desenvolve essa história de uma forma que deixa a gente completamente perdido em relação ao que sentir e pensar.
"E é difícil odiar alguém uma vez que você passa a entende-lo".
O livro te prende do inicio ao fim. E ele também é contado em forma de uma carta (da vítima para o sequestrador), o que acaba dando ao livro um tom diferente. O interessante é que a história por abordar esse assunto se torna  um pouco chocante, mas acho que justamente pelo o fato de os personagens serem jovens e da autora também querer atingir esse público, ela acabou pegando um pouco mais leve nas cenas de violência. No fim, isso foi bom, porque o livro te tira da zona de conforto, lhe proporciona um algo novo, mais também não te choca por completo. Acho que pra quem está querendo navegar por águas literárias um pouco mais "sombrias", esse livro seria um bom começo.

Eu não vou contar nada sobre o enredo. O importante e o que cada um que for ler o livro precisa saber, é o que está na sinopse. Além do que está lá, é desnecessário. Leia ele as cegas, porque assim você sentirá o impacto total.  

Esse livro definitivamente é 5 estrelas. Muito mais do que me marcar, ele balançou mesmo as estruturas. Fiquei muito feliz de ter visto ele aqui no Brasil. Se preparem pra uma montanha russa.

PS1: Para os curiosos em relação a quem a autora imaginaria em um filme como Ty e a Gemma, ela diz: “se eu pudesse mudar o passado, eu traria o maravilhoso Heath Ledger, ele faria  um ótimo Ty. Outros atores que também são lindos e que poderiam conseguir interpreta-lo seria o Ryan Kwantan ou o Ian Somerhalder. Para a Gemma, acho que ela seria uma mistura da atrizes Evan Rachel Wood e Kristen Stewart...  apesar de que precisaríamos de uma versão inglesa." 

Para mim, a Gemma e o Ty que eu tinha na cabeça enquanto lia eram esses dois das fotos acima - Alex Pettyfer e a Lucy Hale.
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