Resenha: Série Divergente - Veronica Roth

setembro 19, 2014
Hoje eu vou fazer uma resenha diferente. Ao invés de focar em um livro específico, quero focar em uma série. A escolhida de hoje é a trilogia Divergente da Veronica Roth.

Lembro como se fosse hoje quando eu li Divergente pela a primeira vez. Até então essa coisa de livros distópicos e pós apocalípticos era muito novo. De grande sucesso no mercado, até então só tinha o Jogos Vorazes. Dessa forma, eu não sabia ao certo o que esperar do livro. Mas foi uma surpresa tão boa. Tudo me encantou. Da premissa da história, passando pelo os cenários até chegar aos personagens. Quando acabei o livro eu fiquei louca de tanto que tinha me apegado a história. Queria muito mais! Mas a Veronica não tinha se quer começado a escrever o segundo. E ai lá se foram torturantes meses de espera.

Mas enfim, Divergente ofereceu pra mim uma proposta diferente. Pra quem não leu ou ainda não viu o filme, a história se passa no futuro. O cenário é ambientado em Chicago. O que achei legal, muito embora a Veronica tenha escrito o livro dando a impressão de que do mundo todo, a única cidade a ter sobrado foi Chicago e fora dela, apenas os “renegados”. Conceito difícil de acreditar, com o mundo sendo do tamanho que é. Mas a gente ignora e segue adiante, até porque a história foi boa o suficiente pra que eu pudesse passar por cima desse detalhe.

Nessa sociedade em que os humanos vivem, eles são divididos em 5 facções - Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição. Aliás, facções essas que eu achei mal escolhidas. Algumas são completamente desnecessárias e fora de propósito. Quero dizer, pra que existe uma facção da amizade ou da franqueza? Porque não uma facção voltada pra artistas, por exemplo!? O objetivo não é que todos possam contribuir com algo pra sociedade?! Mas enfim, outro fator que eu precisei passar por cima e seguir adiante.

Como eu disse, a sociedade é toda dividida nessas 5 facções. Quando elas chegam aos 16 anos, elas fazem alguns testes pra auxilia-los na escolha da facção que terá de seguir pelo o resto da vida. Aparentemente, aqui você não pode ser audacioso e franco na mesma proporção.  Um tem de sobressair mais do que o outro. Caso a pessoa faça o teste e mostre que ela tem vocação pra mais de uma facção, ela é caracterizada como divergente, fato esse que não é bem aceito pela a sociedade, pois uma pessoa que apresenta essas características é difícil de prever, logo controla-la. Aliás, poucas pessoas sabem da existência desses divergentes, porque assim que o governo toma conhecimento dessas pessoas, elas desaparecem.

A Tris é uma menina que nasceu na Abnegação, e agora com 16 anos, tem de fazer uma escolha. Ou continua na abnegação ou escolhe outra facção.


Essa é a premissa da história. E apesar de alguns furos eu achei diferente. Mas o que mais me fez me gostar da história foram os personagens. A Tris não é uma menina bonita. Ela é no máximo normal. E em relação ao romance, o que eu achei bacana, foi que o cara se apaixonou pelo o que ela se mostrou ser e não pela a aparência. Apesar de ele sim apresentar todas aquelas características que fazem a ala feminina e às vezes a masculina babarem. Ele é bonito e todo seguro de si. Apesar de ter uma vulnerabilidade bem oculta. O nome dele é Four (Quatro). Porque enquanto a maior parte dos mortais tem pelo menos uns 50 medos, ele só tem quatro. hahaha A Tris apesar de ser pequena e vulnerável fisicamente, é bem corajosa no seu próprio estilo bad ass de ser.  Ela e o Four fazem uma boa dupla. Os dois são inteligentes, tem visões e personalidades parecidas. E o melhor de tudo, é que eles são bem parceiros. Mas calma, que até chegar a esse ponto, eles passam por algumas coisas. Mas não se preocupem, é ainda no primeiro livro.

Insurgente apesar de ter gostado, me decepcionou um pouco.  Em relação ao primeiro livro, não foi o que eu esperava. A personagem que eu adorava se tornou um ser desconhecido pra mim. Eu praticamente não reconheci a Tris. Achei ela tão... egoísta. Isso me incomodou terrivelmente. Tudo era sobre ela, o mundo girava ao redor dela. Extremamente frustrante e cansativo. Acho que a autora quis forçar a barra pra fazer dela uma mártir a fim de se tornar heroína, que no fim acabou deixando o personagem descaracterizada. Mas enquanto a Tris foi pura decepção, o Four me fez admira-lo ainda mais pela a forma que ele agiu. E não só durante Insurgente, mas durante toda a série. No fim, uma coisa acabou balanceando a outra. Insurgente foi bom! Cheio de reviravoltas e tudo mais... mas ainda assim, da trilogia foi o livro que menos gostei. Provavelmente por causa da Tris.

Quando eu fui ler Convergente, eu confesso que estava meio preocupada. Porque eu não queria mais aquela Tris “esquisita” e também porque eu sabia que essa série não é a típica “acabou a batalha final, o mundo finalmente ficou perfeito, e agora vamos ser todos  felizes para sempre”. Eu fui preparada pra encontrar o que quer que fosse.  Até porque eu tenho uma filosofia da qual eu não preciso de finais felizes, eu só preciso de histórias emocionantes e que me pareçam verdadeiras. Mas eu tive boas surpresas. A Tris recuperou um pouco daquela personagem que costumava ser em Divergente.  O romance entre ela e o Four amadureceu significativamente. Aliás, não só o romance, mas os personagens em si amadurecem muito do começo para o fim. Eu pessoalmente gostei do final. Foi um pouco parecido com o que eu achava que seria, mas com algumas mudanças. Acho que foi o que tinha que ser e com toda a certeza foi muito emocionante. A série sem dúvidas, teve um desfecho marcante.

Acho que em uma nota de 1 a 5, eu daria 4.5 pra essa série. Se não tivesse sido pela a Tris em Insurgente, talvez ela tivesse levado 5. Muita coisa me agradou e uma delas - e que eu até gostaria de destacar aqui na resenha, é que nessa história não existe triângulo amoroso a fim de criar um drama desnecessário e previsível pro casal. Não, os dramas existem, mas por causa dos erros e diferenças de cada um. O Four e a Tris são um jovem casal se adaptando um ao outro e tentando solucionar os problemas ao longo do caminho. E obviamente, como é uma série adulto juvenil, esqueçam as cenas picantes. Não existem! Aliás os momentos mais fofos e de casal mesmo, estão no último livro.

Sobre o Filme
Eu fiquei tão empolgada quando saiu a notícia de que Divergente viraria filme. Inicialmente eu tinha como dream cast a Sophia Robb e o Drew Roy (esses dois a esquerda). Até fiz na época algumas artes do filme com eles, de tão empolgada que eu tinha ficado. Mas quando saiu o cast oficial do filme, eu não poderia ter estado mais satisfeita. Sou uma grande fã do trabalho da Shailene Woodley e acho que ela interpretou a Tris com maestria. O Theo James foi na verdade uma ótima surpresa. Não conhecia o trabalho dele. Inicialmente achei ótimo, porque convenhamos, o que cara é gato! Mas depois que assisti ao filme, eu vi que ele incorporou o Four exatamente como eu o tinha em mente. Talvez até um pouco melhor. Ou seja, no fim das contas ambos
superaram as minhas expectativas. Toda a produção do filme foi maravilhosa. O roteiro foi bem fiel a história, porém nem sempre tão fiel aos diálogos. Mas eles souberam manter a essência da história. Pra mim não poderia ter sido melhor. E tudo isso sem falar na participação da maravilhosa Kate Winslet. Quando vi que ela estaria no elenco, eu quase caí pra trás. hahahaha Fiquei feliz dessa história que eu gostei tanto ter sido bem representada nas telonas. Espero que continuem com esse belo trabalho.
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