Resenha: 'Incendeia-me' (Estilhaça-me #3) - Tahereh Mafi

sábado, setembro 19, 2015
Série: Estilhaça-me 
Volume: 3
Editora: Novo Conceito
Páginas: 384
Gênero:  Young Adult Romance, Distópico.
Lançamento: 2014 -> 1ª edição.
Língua: Português
O destino do Ponto Ômega é desconhecido. Todas as pessoas com quem Juliette se importa podem estar mortas. Talvez a guerra tenha chegado ao fim antes mesmo de ter começado. Juliette foi a única que restou no caminho d O Restabelecimento. E sabe que, se ela sobreviver, O Restabelecimento não sobreviverá. Entretanto, para destruir O Restabelecimento e o homem que quase a matou, Juliette vai precisar da ajuda de alguém em quem nunca pensou que pudesse confiar: Warner. Enquanto eles lutam juntos para combater o inimigo, Juliette descobre que tudo que ela pensava saber sobre seu poder, sobre Warner e até mesmo Adam era uma mentira
ATENÇÃO. A RESENHA CONTÉM SPOILERS DE “ESTILHAÇA-ME” E “LIBERTA-ME”. SE AINDA NÃO LEU OS LIVROS ANTERIORES, NÃO LEIA ESSA RESENHA.
'Incendeia-me' é o livro que fecha a série 'Estilhaça-me' e honestamente eu acho uma pena porque essa história tinha potencial para continuar. Quero dizer, agora que os verdadeiros desafios da Juliette começariam. E mais pela frente, ainda poderiam vir outros vilões e outros obstáculos a serem superados. Afinal, ainda tem os outros grandes comandantes dos outros continentes. E tudo isso sem falar nos diversos relacionamentos que ainda poderiam ser melhor explorados. Como por exemplo, o do Warner com o Adam e o James e principalmente o da Juliette com o Warner e o Adam sobre uma nova perspectiva. É realmente uma pena que tenha acabado. Me apeguei a essa história. 

Enfim, eu gostei desse livro, mas o segundo foi o melhor da trilogia. O terceiro foi meio lenga lenga. A autora se preocupou muito em explorar a parte romântica da história, mas deixou a questão da guerra e etc e tal um pouco de lado. Na realidade, isso nem me incomodou tanto porque depois do segundo o livro, esse foi o aspecto da história que eu passei a gostar mais. No entanto,  a Tahereh Mafi passou uma grande parte do livro "preparando" as pessoas para a guerra, para no fim ela acabou com tudo de forma tão simples. 

Na realidade, eu achei o fim muito apressado, gostaria que a autora tivesse trabalhado nesses relacionamentos acima mencionados um pouco mais. Principalmente o dos irmãos. Aliás, falando nisso, eu queria ter tido uma cena em que os dois lutassem juntos com o pai no final. Sim, eu sei que no fim a grande batalha era entre a Juliette e o Anderson, mas eu acho que a cena poderia ter sido explorada de uma forma em que todas as peças fossem devidamente encaixadas.

Vai ser difícil escrever essa resenha sem dizer quem a Juliette escolheu, porque como eu disse anteriormente, isso acaba sendo o principal aspecto do livro. E sim, apesar de eu achar que no quesito romance, o final também foi um pouco apressado, a vantagem é que a gente já logo no comecinho de 'Incendeia-me' descobre quem é o escolhido. A autora não desenvolve o livro pendendo para os dois pretendentes para no final a Juliette ter uma súbita revelação e escolher um deles. Não, a Juliette vai ao longo do livro se conhecendo melhor e percebendo quem ela acha que se conecta melhor com a sua personalidade, ao futuro que ela quer e claro, por quem o coração dela bate mais acelerado. 
“Eu não quero que você morra—Eu não quero te perder novamente—” “Isso não é sobre você, Adam.”
"Eu quero que você seja feliz", eu digo, meus olhos procurando os seus. "Eu quero que você tenha uma família. Eu quero que você seja cercado de pessoas que se importam com você," eu digo. "Você merece isso."
O livro começa logo depois dos eventos de 'Liberta-me', em que a Juliette leva um tiro do Anderson no peito e fica entre a vida e a morte. O Warner salva a sua vida e a leva de volta para a base e quando ela acorda, ele lhe conta que o Ponto Ômega foi destruído e que todos morreram. A Juliette fica destruída achando que perdeu todos os seus amigos. Até que ela pede que ele a leve ao lugar da destruição do Ponto Ômega para ver tudo com os próprios olhos e lá ela acaba tendo algumas surpresas. Agora a Juliette está com sede de vingança e quer destruir o Restabelecimento e matar o Anderson a qualquer custo. E para conseguir isso, ela acaba fazendo algumas alianças... 
Vingança. Acredito que ela nunca pareceu tão doce.
E bom, vou parar por aqui mesmo, para não soltar muito spoiler... Mais saibam que dessa vez, a Juliette acordou uma nova pessoa. Completamente destemida e pronta para fazer o que for possível para restaurar a paz e reconstruir o que já foi perdido. Ou seja, agora ela veio pra botar pra quebrar!
"– Isso é porque você não é frágil – afirma. – Na verdade, todo mundo precisa se proteger de você. Você é como uma besta, droga – ele diz. Depois, acrescenta:

– Digo, você sabe... Tipo, uma besta fofa. Uma pequena besta que rasga as coisas e quebra a terra e suga
Fatores do livro que eu gostei:
  • Novamente a amizade entre a Juliette e o Kenji. Eles roubaram a cena, aliás, o Kenji por si só já rouba as atenções para si a qualquer hora. O cara é simplesmente hilário e traz consigo uma leveza necessária para a história que já carrega tanto drama.
  •  Amei todas as cenas entre ela e o respectivo escolhido. Foram tão fofas e/ou tão angustiantes.
Bom, seguinte, pra quem não que saber qualquer spoiler sobre o livro, aconselho parar a resenha por aqui. Saibam que o livro apesar de não ter tido aquele final brilhante, foi bem legal e empolgante. Empolgante do tipo que você não consegue colocar o livro de lado e ir fazer outra coisa. Você fica tão mergulhado na história, que você precisa saber o que irá acontecer. Então, sim, vale muitissimo a pena e ele pode até não acabar do jeito que você gostaria, mas mesmo assim, ele tem um bom final. 
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Então, falando mais abertamente e com spoilers sobre essa questão do romance e de quem ela escolhe, não tinha como eu escrever essa resenha sem mencionar dois fatores que eu desgostei bastante.

Primeiramente, eu não gostei da Tahereh Mafi ter estragado a imagem do Adam para que os leitores e até a própria Juliette ficassem ressentidos com ele, afim de passarmos todos a torcer pelo o Warner. Acho que isso, no fim da contas, é uma forma de manipulação que não dá muito certo, porque fica irreal. O Adam no decorrer de toda a série - tirando o comecinho - foi um fofo com a Juliette e de repente, ele se transformou num babaca completo. Babaca do tipo que toda a vez que abria a boca só saia asneira. Poxa, apesar de eu não achar que ele fosse bom pra Juliette, eu gostava do cara. A autora estragou a imagem dele desnecessariamente porque nada aquilo era necessário para a Juliette perceber que eles eram muito diferentes e que ambos queriam coisas opostas para o futuro. 

Em relação ao Warner, eu me senti feita de boba. No fim das contas, pra gente abraçar a escolha da Juliette, a Tahereh Mafi transformou um dos caras em um babaca e o outro em um ator. What the F**! Pra resumir, quase tudo de ruim que o Warner fez no primeiro livro não era de verdade. Quase tudo era um tipo de encenação para o pai ou uma tentativa torta de proteger e ajudar a Juliette. Nossa! Muito esquisito isso. Eu sinceramente preferia um final em que ele se arrependesse de tudo o que fez e tentasse desenvolver mais o lado bom dele.  Seria mais verídico e talvez um pouco mais inspirador, porque veríamos um garoto que balançava entre o mal e o bem se render ao bem por simplesmente ter se apaixonado por uma boa garota. No fim, a autora fez a gente odiar o cara por motivos inexistentes. 

Resumindo, achei isso tudo muito desnecessário e inclusive mal feito. Ao meu ver, apagou um pouco o brilho de um final que poderia ter sido muito melhor. 

Melhores Quotes:
É um beijo pesado e inacreditável. É o tipo de beijo que inspira estrelas a subirem ao céu e iluminarem o mundo. O tipo que demora para sempre e não demora tempo algum. As mãos dele estão segurando minhas bochechas e ele se afasta apenas para me olhar nos olhos e seu peito está arfando quando ele diz “eu acho”, ele diz, “que meu coração vai explodir” e eu desejo, mais do que nunca, saber como guardar momentos assim e revisitá-los para sempre.
- Eu vou MATÁ-LO...-
- Não - ele diz, apontando para mim conforme recua de novo. - Juliette feia. Você não gosta de matar pessoas, lembra? Você é contra isso, lembra? Você gosta de conversar sobre sentimentos e arco-íris... as vidas das pessoas."
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